Pov de Pedro



•[ Rio de Janeiro, 6:30 A.M. ]




Mais um dia daqueles para falar a verdade, eu nem queria estar de pé, mais fazer o que? Logo corro pra cozinha fazer o café da manhã. Eu e Lucas estudamos de manhã, eu estou no 2º ano de fotografia e Lucas está no último ano da escola.



Já faz 2 anos que moramos no Rio de Janeiro e apenas 1 ano que nossa mãe morreu. Não foi nada fácil ter responsabilidades logo cedo, mas tive que mudar toda minha rotina por causa do meu irmão.



Assim que o café ficou pronto, chamei o Lucas, pois não poderíamos nos atrasar, já que a faculdade não é muito perto da nossa casa ou de sua escola. Depois de tudo pronto, fomos para o carro e nossa ida até a escola foi naquele silêncio que eu já conhecia.








Pov de Lucas




Mais um dia no inferno... Ops! Escola. Sim, pra mim é um inferno porque tudo é chato. Aulas, alunos e até mesmo professores. Ok, eu moro bem próximo a praia, badalação, mas o que adianta ter tudo isso e não ter um amigo pra estar comigo? Meu irmão não conta, pois ele tem a vida dele com faculdade, cuidar dos negócios da nossa mãe, ela era dona de uma clínica de estética. O que sobra pra mim? Quando nossa mãe era viva, tudo era melhor, pois ele tinha tempo pra ficar comigo.



Nesse período acabei me acostumando com a solidão, arrumei outras coisas para ocupar o meu tempo, uma delas é o computador. Sim, sou aquele nerd que fica enfiado nos livros, computadores, sempre estudando, aprendendo coisas... Coisas essa que aplico no meu dia-a-dia. Claro que não me visto como um nerd, não sou abobalhado, essas coisas que vemos em filmes americanos, mas sempre dou o meu jeito para se parecer como um adolescente normal da minha idade.



Em pleno século 21 e muitas coisas acontecendo, mas parece que as pessoas não se dão conta do que as cercam. Não sei se elas fingem que o mundo é perfeito pra não ter que lidar com as coisas que nos cercam, mas confesso que as vezes eu fico com medo por elas, por essa alienação bizarra.



Pela net rola muita coisa, e uma delas é essa invasão dos Ghouls. Muitos não acreditam, ou até acham que não existam, mas eles estão aí, a espreita, só esperando o momento certo para atacar. Confesso que nunca vi um, mas também não marco bobeira, realmente não quero virar o jantar de um. Meu irmão é uma dessas pessoas que não acreditam, mas pra isso que serve o irmão mais novo não é?



Vocês devem estar se perguntando: "Qual a probabilidade de um Ghoul aparecer no Brasil?" e eu te respondo, MUITAS! Pra eles somos alimentos, não importa a nacionalidade. Sempre vejo no noticiário matérias bizarras de pessoas (ou parte delas) que são encontradas, com a história de rituais, mas pessoas mais informadas como eu, sabem exatamente o que anda acontecendo.



Mesmo com tudo isso para me preocupar ainda tenho que me preocupar com a escola. Não por notas, porque sem querer me gabar sou um ótimo aluno e sim pelos alunos que são todos uns idiotas que só pensam em diversão, sexo (isso porque somos menor). Ok, é óbvio que não vou virar um padre, mas eu tenho outras prioridades, como entrar em uma ótima faculdade. Meu sonho é ir para os Estados Unidos, cursar uma ótima Universidade, mas jamais que meu irmão iria me deixar ir sem ele.



Voltando para a minha realidade, estou aqui nessa escola chata, tendo mais um dia chato como sempre, a diferença é de que hoje o Pedro me levará ao cemitério, pois hoje faz 1 ano que nossa mãe morreu em um assalto. Não gosto de falar muito disso, pois eu era muito apegado a ela. Aqui na escola eu tenho uma vida normal, as vezes os caras tiram o dia pra me perturbar, mas nada tão violento como vemos nos filmes, sabe aquela zoação básica? Tipo quando estou na quadra e do nada a Sara passa e me dá aquele sorrizinho que me deixa com as pernas bambas? Sim, sou apaixonado pela Sara Paiva, ela é da minha turma, é considerada popular. Ela mora com o irmão, Samuel Paiva, o cara esta na faculdade. Eles são bem de vida, mas nesses 3 anos que os conheço nunca vi os pais deles e muito menos já fui na casa deles.



Eles moram em um condomínio perto da escola, mas o engraçado é que aqui na escola a Sara tem muitas amigas, mas você não vê ela as convidando para uma social fora da escola, vai entender. E por causa dela eu sempre acabo me ferrando. A última que ela aprontou foi com a Nathalie... Brigas bobas entre meninas, mas aí o bonitão aqui, estava passando no local errado e na hora errada e acabou sobrando pra mim. Conclusão: Castigo na hora do intervalo.



As aulas transcorreram normalmente, mas na hora que o sinal para o intervalo tocou, eu e Sara ficamos na sala fazendo um exercício que o professor de Física nos passou. Como a próxima aula estaria vaga, nosso castigo se estenderia no próximo horário também. Uma hora resolvendo exercícios de Física era tudo o que eu sempre quis na minha vida. Em quinze minutos eu já havia terminado tudo e como não tinha nada pra fazer, guardei meu material, olhei para trás e vi Sara dormindo em sua carteira, ótimo, só falta o professor pegar no meu pé porque ela não fez o que foi pedido.



Eu já estava irritado pensando nisso, quando resolvi ir ao banheiro. Me levantei e fui caminhando até a porta, quando ouço Sara me chamar.




_ Onde você vai? – Ela disse com sua voz doce.



_ Banheiro.



_ Você já terminou o exercício?



_ Sim e me desculpe, mas não vou te emprestar pra você copiar porque o professor vai notar.



_ Eu também já terminei bobinho. – Ela disse sorrindo. – Mas temos que ficar aqui até o sinal bater... –Ela disse olhando pro celular. – E ainda falta.



_ Eu realmente preciso ir ao banheiro e não vai ser ele que vai me impedir. – Eu disse saindo, não estava a fim de ouvir nada.




Eu estava me aproximando da escada, quando sinto mãos delicadas pegar em meu braço.




_ Espere. –Ela disse calma.



_ O que foi?



_ Eu queria me desculpar com você... Não era minha intenção te meter nessa roubada.



_ Tudo bem... Só evite encrencas... O diretor já está de olho em você, mais uma e você pode ser expulsa.



_ Eu não tenho medo não. – Ela disse sorrindo. – Ele não é louco de fazer algo contra a pessoa que financia as coisas por aqui.



_ Como assim?



_ Se não fosse meu irmão, essa escola já teria fechado.



_ Ah tá, entendi... – Fala serio, mas essa garota se acha mesmo! E mesmo podendo, ela ainda continua linda.




Logo voltei a andar, mas ela me puxou.




_ Espere.



_ O que foi?



_ Estamos sozinhos... Podíamos aproveitar.



_ Aproveitar o que? – Eu disse sem entender aquela conversa.




Pra minha surpresa ela me abraçou e deitou sua cabeça em meu ombro. Puta que pariu! Isso realmente estava acontecendo comigo?




_ M-mas o que...?



_ Eu sempre te notei... Sabia?



_ Notou? – Eu disse nervoso.



_ Sim... Sempre sonhei com essa oportunidade... – Ela disse docemente.




Sem dizer mais nada, ela me surpreendeu com um beijo delicado, um beijo que sempre sonhei e jamais pensei em receber. Sua boca é delicada, mas isso estava me deixando muito nervoso, pois eu nunca havia beijado antes, mas acho que ela notou, então apenas me deu um beijo casto e logo voltou a me abraçar.




_ Você tem o cheiro muito bom... – Ela disse cheirando o meu pescoço, o que me fez arrepiar. – E me deixa com água na boca...



_ O que?! – Eu disse sem entender.




Nisso senti ela raspar os dentes em meu pescoço e logo em seguida veio a dor. Como assim ela me mordeu?




_ Ahhh você está louca?! – Eu disse me afastando dela bruscamente.



_ Me desculpe Lucas... – Ela disse com um sorriso diabólico. Mas como ela mudou assim, de repente? – Estou com muita fome e o seu cheiro é bom demais.



_ Mas que merda Sara...! – Eu disse cambaleando, estava sentindo uma dor insuportável. – Você é um...



_ Auto lá! Assim você me magoa... – Ela disse sínica vindo para o meu lado. – O que eu posso fazer se você cheira tão bem? E o gosto? Hummm.... Delicioso....




Ôh merda, eu preciso pensar rápido! Pensa Lucas, pensa sua anta! Olhei para os lados e estava tudo vazio, os alunos estavam em aula, corredor vazio, eu estava completamente nervoso. Sabia que não poderia gritar, porque ela me mataria em questão de segundos, correr? Não daria tempo, então olhei para a janela e não pensei duas vezes, me joguei e só orei para não morrer com a queda. Por ter muitas pessoas do lado de fora, não teria como ela fazer nada, então tentei a sorte e me joguei, fechei os olhos e só consegui pensar na minha mãe e no meu irmão antes de sentir o baque e tudo escurecer.



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