Pov de Daygo


Eu estava tendo aquele sonho maravilhoso com a Olivia quando meu celular começou a tocar feito louco. Eu queria poder dormir mais um pouco, mas os deveres me chamam, isso que da ser um nerd.


O que me salva é o meu melhor amigo Pedro, ele sim é um cara popular desde a época de escola e juntos na faculdade continuamos sendo uma dupla incrível. Amo morar na cidade do Rio de Janeiro, mas o que acaba comigo é o calor. Eu prefiro o frio, mas fazer o que, não é mesmo?


Assim que levantei fui direto para o banheiro fazer minha higiene pessoal, e depois de meus 15 minutos cronometrados no relógio imaginário eu já estava devidamente pronto. Morar sozinho dá nisso, ter responsabilidades. Logo fui preparar meu café da manhã, algo prático, pois não gosto de atrasar para a faculdade. Eu estava tomando meu suco de abacaxi quando alguém começa a esmurrar a porta, mas quem será uma hora dessas?



_ Já vai...! Puta que pariu! Quem morreu?! –Eu disse me aproximando da porta.


_ Você, se não abrir essa porta logo! – Disse uma voz já conhecida por mim.



Assim que abri a porta, Pedro entrou como um furacão, quase me derrubando.



_ Santo Deus, homem! Não me diga que viu uma assombração? – Eu disse estranhando as atitudes de Pedro, pois o conheço bem e sei que ele é muito calmo.


_ Preciso de sua ajuda! – Ele disse me olhando serio e isso já estava me apavorando.


_ Não me diga que seu irmão caiu nas drogas e que está devendo até a alma?!


_ É pior!


_ Você está me assustando... – Eu disse indo pra sala e me sentando, Pedro ficou em pé na minha frente. – Desembucha.


_ Sabe aquelas histórias loucas que o Lucas conta sobre esses tal de ghoul?


_ Sei... Seu irmão daria um belo escritor... Ele tem a imaginação muito fértil. – Eu disse rindo.


_ Não são apenas histórias... É real.


_ Como assim?! – Eu disse ficando em pé. – Você já viu algum?


_ Não, mas meu irmão me contou o que aconteceu com ele, não todos os detalhes, mas enfim... Resumindo... A garota que ele gosta o atacou.


_ Como assim "o atacou"? Ele não tinha despencado do 3º andar? – Eu disse sem entender.


_ Sim... Mas parece que ela o mordeu...


_ E desde quando ser mordido por um bicho desses se transforma?


_ Eu não sei ok?! Eu não entendo dessas coisas! Só sei que estou com o meu irmão em casa e o coitado não consegue nem comer! Não sei mais o que fazer! – Ele disse desesperado.


_ Hum... – Eu disse pensativo. – Vamos pra sua casa entender mais sobre isso, O Lucas é que conhece essas coisas, ele deve ter uma explicação.


_ Eu estou com medo cara... E se ele realmente se transformou em uma coisa dessas? Como vai ser nossa vida daqui em diante? Eu não vou abandonar meu irmão.


_ Calma, vamos dar um jeito. – Eu disse me levantando e indo pro quarto pegar minha mochila, carteira e celular e logo voltando pra sala. – Vamos falar com o seu irmão, estou com você nessa.


_ Obrigado mano... – Ele disse me abraçando. – Não sei o que seria de mim sem você.


_ É pra isso que servem os amigos.



Então sem perder tempo, fomos pra sua casa tentar entender o que estava realmente acontecendo. Em vinte minutos já estávamos em frente a sua casa, eu sentia o medo de Pedro e isso estava me deixando apavorado, justo ele que é um cara forte, uma rocha.


O vi respirar fundo, coloquei a mão em seu ombro pra mostrar conforto e logo estávamos saindo do carro, indo em direção a casa. Ao entrarmos Pedro já foi logo chamando pelo irmão.



_ Ôh Lucas!


_ Que foi? – Ele berrou, provavelmente do quarto.



Não demorou muito para que ele aparecesse em nosso campo de visão.



_ Ah... Oi Daygo.


_ E aí moleque! – Eu disse o cumprimentando como sempre, com um soquinho no ombro. – Como você tá? Fiquei sabendo que a sua garota te pegou de jeito.


_ E como pegou. – Ele disse dando um sorriso mínimo.


_ Hey relaxe... Estamos entre irmãos aqui, você sabe que não há segredos entre nós... Seu irmão me contou por alto o que houve com você e vim aqui entender mais um pouco sobre isso, quero ajudar.


_ Não há nada a ser feito Daygo. – Ele disse indo pra sala e se jogando no sofá. – A merda toda já está feita.


_ Não sei muito sobre essas coisas mas... Acho que apenas uma mordida não faz uma pessoa se transformar assim.


_ Eu também não entendo... – Ele disse pensativo. – Ah não ser... –Ele disse nos olhando seriamente.


_ O que foi garoto?


_ Muitas pessoas não acreditam em ghouls... Outras nem sabem o que é isso...


_ Onde você quer chegar Lucas? – Pedro perguntou.


_ O hospital... O médico disse que alguns dos meus órgãos foram comprometidos, tanto que tive que fazer um transplante... E se foi algo doado por um ghoul? Como eles iriam saber? Não existe algum tipo de teste pra saber disso.


_ Você tem certeza disso? – Eu perguntei ainda não acreditando muito nisso.


_ Eu sei bem o que me atacou ok! – Lucas disse alterado. – Eu vi a verdadeira forma da Sara, eu não estou louco!


_ Hey calma, não estou aqui pra te acusar de nada e sim ajudar.


_ Como faremos com a escola? Ele não pode voltar pra lá! E se essa psicopata tentar algo contra o meu irmão? – Pedro disse apavorado.


_ Esse é o momento dele ir pra escola e grudar nessa garota.


_ Tá maluco?! – Pedro disse nervoso.


_ O Daygo tem razão... Tenho que grudar na Sara e ver de perto como é o outro lado.


_ Eu não quero ver o meu irmão por aí comendo pessoas!


_ É a única solução que temos no momento. – Lucas disse por fim. – Vá pra faculdade que eu me viro por aqui.


_ Mas...


_ O Lucas tem razão, Pedro. – Eu disse segurando. – Ele tem que viver a vida dele normalmente pra ninguém desconfiar, sem contar que essa tal de Sara é a única que pode ajudá-lo no momento.


_ Porque eu sinto que isso ainda vai dar uma merda grande? – Pedro disse com a voz cansada.


_ Confie em mim pelo menos uma vez ok. – Lucas disse decidido. – Eu vou falar com a Sara mais tarde e resolver tudo.


_ Não quero você sozinho com essa psicopata. Espere até quando eu voltar do trabalho, assim vamos juntos falar com ela.


_ Tudo bem, agora vão... Eu ficarei bem... Boa aula pra vocês.


_ Bom descanso moleque, até mais tarde.



Assim que nos despedimos, fomos direto pra faculdade, mas eu estava vendo que o nosso dia ainda ficaria mais agitado.


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