Pov de Samuel

 

 

Dois dias se passaram e eu tive que sumir do lugar que eu caçava, pois o lugar estava cheio de agentes. Eu não queria preocupar minha irmã, então quando eu saia pra caçar em um canto afastado da cidade eu sempre trazia algo para ela se alimentar, eu queria evitar ao máximo dela se expor.

 

 

Eu estava caminhando apressadamente pelas ruas do bairro, quando avisto Pedro e Daygo conversando perto de uma loja e logo me aproximo.

 

 

_ Hey... - Eu disse me aproximando deles. - Precisamos conversar. - Meu tom era urgente.

 

 

_ O que aconteceu? - Pedro disse parecendo preocupado.

 

 

_ O bairro está perigoso. Está infestado de agentes da CCG. Algo grande está acontecendo e precisamos descobrir o motivo dessa concentração de agentes por aqui.

 

 

_ Você acha que estão atrás do meu irmão? - Ele diz olhando preocupado para Daygo.

 

 

_ É possível, mas ainda não sabemos ao certo. Preciso que vocês dois investiguem o que está acontecendo. Descubram por que a CCG está focando tanto nesta área.

 

 

_ Considere isso feito. Vamos descobrir o que está acontecendo. - Disse Daygo animado como sempre.

 

 

_ Preciso de mais uma coisa.

 

 

_ O que? - Pedro disse me olhando serio.

 

 

— Cuidem da minha irmã enquanto eu estiver fora, não a deixem sair pra caçar, mas não digam o real motivo, não quero preocupá-la.

 

 

— Pode deixar.

 

Logo nos dispersamos e fomos em caminhos opostos, eu precisava saber o que estava acontecendo e rápido. Eu estava indo pra casa quando algo me chamou a atenção. A medida que avançava, notei uma movimentação estranha ao longo da rua. Um grupo de homens, todos vestidos de maneira similar, estava espalhado discretamente pelas calçadas, suas mãos segurando algo pequeno e metálico. Ao focar mais, percebi que eram rádios, eu sabia que algo estava errado.

 

 

Sem demonstrar preocupação, olhei ao redor, procurando uma saída rápida. Avistei uma loja de sapatos à minha direita e, sem hesitar, entrei. O sino sobre a porta tocou quando eu cruzei o limiar, e uma vendedora imediatamente me cumprimentou.

 

 

_ Boa tarde, senhor! Posso ajudar em algo? - Disse a vendedora com um sorriso cordial

 

 

_ Sim, estou procurando um novo par de tênis. Algo confortável para o dia a dia.

 

 

Enquanto a vendedora se afastava para buscar algumas opções, me posicionei estrategicamente perto da vitrine. Fingi estar interessado nos sapatos expostos, mas meus olhos estavam fixos na rua.

 

 

Eu observava os homens. Havia uma sincronia nos movimentos deles, uma espécie de padrão. Eles trocavam informações rápidas pelo rádio, mantendo os olhos atentos na movimentação da rua, como predadores à espreita.

 

 

_ Esses caras são da CCG... Não pode ser coincidência eles estarem aqui. - Sussurrei para mim mesmo.

 

 

A vendedora voltou com alguns pares de tênis, e mantendo a calma, experimentei um dos pares, ainda com um olho na rua. Viu um dos homens se aproximar da entrada da loja, conversando no rádio, mas sem entrar. Meu coração acelerou por um momento, mas eu mantive o foco.

 

 

_ Esses aqui estão ótimos. Vou levar. - Eu disse sorrindo para a vendedora.

 

 

Paguei pelo tênis, guardei na sacola e sai da loja como qualquer outro cliente. Ao sair, senti os olhos de um dos agentes sobre mim. Havia algo no olhar do homem, como se estivesse tentando decifrar quem eu era realmente, mas não demonstrei nenhum sinal de nervosismo. Apenas acenei levemente, como se estivesse sendo educado, e continuei andando.

 

 

Por dentro, eu estava alerta, sentindo a adrenalina percorrendo meu corpo, mas, externamente, eu mantive a aparência de uma pessoa comum, apenas um cliente que acabou de comprar um par de tênis.

 

 

Virei a esquina e acelerei o passo, sem correr, mas movendo-me com determinação. Eu sabia que precisava sair dali o mais rápido possível antes que qualquer coisa acontecesse. Após me distanciar suficientemente, eu me permiti respirar aliviado.

 

 

— Eles estão procurando alguém... E por pouco não fui eu. Mas o que diabos a CCG está planejando? - Eu disse intrigado.

 

 

Eu não podia arriscar voltar para casa direto. Precisava despistar caso eu ainda estivesse sendo vigiado. Algo grande estava para acontecer, e eu precisava descobrir o que era antes que fosse tarde demais.

 

 

Continuei a caminhar, desaparecendo pelas ruas mais tranquilas do bairro, onde a presença da CCG não era tão forte. Eu sabia que, a partir daquele momento, cada passo precisava ser calculado. O perigo estava mais próximo do que ele imaginava, e o tempo estava se esgotando.

 


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