Pov de Sara

 

Mais um dia chato na escola, fingindo ser algo que eu não sou, mas que tenho que fingir para não morrer. A sala está cheia como de costume, eu estava concentrada, anotando as coisas do quadro, enquanto que Matheus desenhava distraidamente ao meu lado. Lucas, sentado atrás, olhando pela janela inquieto.

  

Lucas solta um suspiro, perdido em pensamentos, me fazendo virar para ele.

 

  

— Lucas, você tá bem? Tá com uma cara péssima.

 

— Tô só cansado. Não dormi bem. — Ele disse passando a mão no rosto.

 

— Sei... se precisar de ajuda com algo, pode contar comigo.

 

  

Lucas apenas balança a cabeça, evitando me olhar diretamente. Algo me dizia que ele estava com algo na cabeça, mas o que eu faria pra ele me contar?

 

 

— Sério que você não vai me falar o que anda rolando na sua cabeça?

 

— Apenas problemas que apenas eu tenho que resolver. Nada haver com a escola ou... nós de alguma forma.

 

— Humanos são estranhos.

 

— Meio humano você quer dizer né?

 

— Pra mim é estranho tudo isso sabe? Ter que fingir ser algo que eu não sou só pra não morrer.

 

— É difícil tentar continuar com a minha vida e descobrir o que rolou comigo naquele hospital. Se minhas suspeitas estiverem certas o mundo está mais que ferrado. Os médicos estão usando órgãos de ghoul em humanos nos transplantes, eles nem checam antes.

 

— Caso sua suspeita se confirme... o que fará? Você acha que alguém vai acreditar em você? Não se esqueça de que são poucos humanos que sabem sobre nossa existência.

 

— As pessoas certas sabendo disso já será meio caminho andado. Os agentes da CCG precisam saber disso, talvez eles possam fazer alguma coisa pra impedir, mas pra isso eu tenho que descobrir.

 

 

Não demorou muito para que o sinal batesse, e o professor chato de biologia sumir das minhas vistas.

 

 

 

Pov de Lucas

 

 

A manhã passou lenta como sempre e com o fim das aulas chatas eu Sara fomos pra casa. Eram tantas coisas pra resolver e eu não sabia nem por onde começar. Eu estava em meu quarto, sentado à mesa, cercado por documentos médicos e anotações. Analisando a folha que estava em minha mão, resultado de um exame.

 

 

— Então é isso... — Eu disse pra mim mesmo. — Aquele rapaz que foi levado para o hospital no mesmo dia que eu... Eles usaram os órgãos dele para me salvar.

 

 

Alguns flashback me veio a cabeça, quando acordei da cirurgia. Me lembro dos médicos discutindo sobre a urgência do transplante ecoavam na minha cabeça.

 

 

— Mas... e se ele não era humano? — Eu disse pensativo. — Doadores não identificados – potencialmente não humanos — Eu estava em choque. — Eu sabia... Ele era um ghoul!

 

  

Empurro os papéis de lado, angustiado. Eu sabia que agora carrego algo que pode colocar todos em perigo. Alguém vai sentir falta desses papéis e não vai demorar muito para que ele chegue até mim. Preciso relatar as minhas descobertas aos outros. Sei que não fui honesto com o meu irmão, invadi o hospital sozinho pra conseguir esses documentos e ele vai ficar furioso quando saber que eu fiz tudo isso sozinho.

 

 Pensando nisso, peguei todo o material que roubei e fui até a sala onde o pessoal estava. Sara estava sentada no sofá lendo um livro, enquanto que Daygo e meu irmão estavam na cozinha preparando algo pra eles comerem.

 

 

— Pessoal...! — Eu disse parando no meio da sala. — Precisamos ter uma conversar seria.

 

— O que foi? - Sara disse me dando atenção.

 

— Acho que descobri algo que me coloca em perigo e quem estiver comigo vai rodar.

 

— Do que você está falando? — Meu irmão disse se aproximando de mim. — E que papéis são esses?

 

— Essas são as provas que eu estava procurando.

 

— O que? - Daygo disse pegando os papéis da minha mão e dando uma olhada.

 

— O que foi que foi que você fez? - Meu irmão disse serio. Eu estava vendo que a nossa conversa seria longa.

 


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