Pov de Pedro

 

 

Porque eu acho que meu irmão fez merda? Simples: ele sempre faz. Mas desta vez, ele ultrapassou todos os limites.

 

 

— Desembucha garoto! - Eu já estava ficando irritado.

 

— Puta merda... - Daygo disse lendo o papel que ele pegou da mão de Lucas.

 

— O que foi? - Eu disse alternando o olhar entre mim e Daygo.

 

— As provas... Como você conseguiu? - Daygo perguntou curioso.

 

— Resumindo... Invadi o hospital e roubei esses arquivos do médico que me operou. — Lucas disse por fim.

 

— Você fez o que?! - Eu disse irritado. — Ficou louco?! Você invadiu um hospital?! E roubou arquivos médicos?

 

— Eu precisava saber, Pedro. Precisava entender o que aconteceu comigo.

 

— Entender o quê? Que você colocou todos nós em risco? Que agora a CCG tem ainda mais motivos pra nos caçar?!

 

Lucas desvia o olhar, claramente arrependido, mas eu não consigo parar. Minha mente está girando com as implicações do que ele acabou de confessar.

 

— Cara... esses arquivos são sérios. Eles descrevem tudo sobre o transplante, os órgãos usados, e... droga, tem até detalhes sobre o rapaz ghoul que morreu. - Daygo disse começando a ficar agitado.

 

— Você ao menos pensou no que aconteceria se alguém te visse? Se você fosse pego? - Eu disse exasperado.

 

— Eu tomei cuidado. - Lucas disse baixando a cabeça.

 

— Não foi suficiente! Agora, se eles ligarem os pontos, a gente tá ferrado! — Eu disse passando a mão no rosto.

 

 

Sara fica em pé, nos observando.

 

 

— Alguém pode me explicar o que tá acontecendo aqui?

 

— O gênio aqui decidiu que era uma boa ideia invadir um hospital e roubar documentos sobre a cirurgia dele. — Eu disse apontando para o meu irmão.

 

— Você fez o quê? — Ela disse encarando Lucas.

 

— Eu precisava saber a verdade, Sara! — Lucas disse tentando se justificar. — Eu descobri que o doador... ele era um ghoul. Os médicos usaram os órgãos dele pra me salvar.

 

 

Sara fica em silêncio por um momento, absorvendo a informação. Então, ela balança a cabeça, exasperada.

 

 

— Isso é grave. Se a CCG descobrir que você invadiu o hospital, ou pior, se eles suspeitarem do que você é agora... estamos todos mortos.

 

— É exatamente o que eu tô dizendo! Ele expôs a gente, Sara! - Eu disse andando de um lado para o outro nervoso.

 

 

Sara olha ao redor, como se estivesse verificando cada canto da casa. Então, ela olha para mim com determinação.

 

 

— A gente não pode mais ficar aqui.

 

— O quê? — Eu disse parando de repente.

 

— Pedro, você sabe que eles vão investigar isso. Eles têm informantes. Se a CCG começar a conectar os pontos, vão chegar até essa casa. — Sara disse me olhando de um jeito que estava me deixando mais nervoso do que eu já estava.

 

— E quando eles vierem, não vão bater na porta pedindo licença. — Daygo disse nervoso. — Eles vão arrombar com um batalhão inteiro.

 

— Eu não queria colocar vocês em risco... - Lucas disse em pânico.

 

— Mas colocou. — Eu disse cortando-o. — Agora a gente precisa limpar a sua bagunça.

 

Sara pega uma mochila e começa a enfiar o que pode dentro dela.

 

— Não temos tempo pra brigar. A prioridade agora é sair daqui antes que eles rastreiem algo.

 

— E pra onde a gente vai? - Perguntei apavorado.

 

— Pra qualquer lugar que não seja aqui. Precisamos achar um lugar seguro e refazer nossos planos.

 

 

A noite está silenciosa, exceto pelo som dos nossos passos apressados. Eu carrego a mochila no ombro, enquanto Daygo olha nervosamente para trás a cada cinco segundos.

 

 

— Vocês acham que já estão atrás de nós? — Daygo disse de repente.

 

— Se não estão agora, não vai demorar muito. — Eu disse aumentando os passos.

 

 

Lucas caminha em silêncio, claramente abalado pelo peso do que fez. Sara puxa o braço dele, obrigando-o a encará-la.

 

 

— Você vai ter que se controlar daqui em diante. Sem atitudes impulsivas, sem segredos. Entendido? — Sara disse seriamente.

 

— Entendido. — Ele responde baixando a cabeça.

 

 

Nos escondemos em um depósito abandonado. A tensão é palpável enquanto montamos um acampamento improvisado. Sara olha para mim, seu rosto sério.)

 

 

— A partir de agora, cada passo precisa ser calculado. — Sara disse retirando o casaco. — Se a gente der mole, é o nosso fim.

 

— Tudo bem. Mas antes de fazermos qualquer coisa, precisamos de mais informações. E, principalmente, descobrir quem mais tá envolvido nisso. — Eu disse ajeitando um canto para deitar.

 

 

Expostos e sem alternativas, cada decisão a partir daquele momento seria uma questão de sobrevivência.

 


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