Pov de Lucas
Achei que se eu descobrisse a verdade e tivesse as provas eu poderia ajudar de alguma forma, mas só ferrei com tudo. Quando amanheceu, eu e Sara fomos pra escola normalmente, Pedro e Daygo foram pra faculdade, não queríamos levantar suspeitas e assim poderíamos nos misturar e descobrir mais coisas.
Eu estava na sala quando Matheus entra, segurando uma mochila. Ele percebe os papéis na mesa e meu olhar perturbado.
— Ainda pensando nisso? Você precisa fazer alguma coisa, Lucas.
— E o que você sugere? Se eu falar qualquer coisa, a CCG pode descobrir sobre mim.
— Faz uma denúncia anônima. Diz que ouviu boatos sobre transplantes de órgãos de ghouls. Assim, ninguém vai te ligar à história. — Matheus disse sentando-se na cadeira ao meu lado.
Considero a sugestão. Pego o celular, mas hesito.
— E se eles começarem a investigar mais a fundo? Não é só sobre mim. Isso pode colocar todo mundo aqui em risco.
— Então, o que você vai fazer? Ficar quieto enquanto eles continuam?
Lucas (abaixando a cabeça):
— Eu não sei, Matheus. — Eu disse baixando a cabeça. — Mas preciso de mais tempo para pensar.
Matheus me observa com preocupação, mas não insiste.
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Pov de Daygo
Durante a manhã na faculdade, nada aconteceu e tudo parecia tranquilo. Não havia nada suspeito e isso nos deixava mais tranquilo. Já no final das aulas fomos para os nossos trabalhos de meio período, precisávamos relaxar um pouco desse mundo caótico que nos cerca.
Ao final do nosso turno nos encontramos na praça de alimentação do shopping, compramos algo pra comer no local mesmo. Ao terminarmos pegamos nossas mochilas e fomos para o depósito onde estávamos escondidos.
Caminhávamos por uma rua deserta, discutindo as últimas descobertas sobre a CCG. Pedro recebe uma mensagem de Lucas, mas a ignora, focado na missão.
— Se a CCG tá varrendo esse bairro, é porque eles sabem de alguma coisa. - Digo pensativo.
— Ou alguém contou para eles... — Ele disse olhando pra mim com o semblante serio.
— Você acha que tem um traidor entre a gente? — Eu disse parando subitamente.
Pedro não responde, mas o silêncio é sugestivo e torna tudo pior. Paro no meio da calçada, forçando Pedro a me encarar. Ele continua andando por mais alguns passos, mas logo percebe que não vou deixá-lo escapar dessa conversa.
— Pedro, você acha mesmo que tem um traidor entre a gente?
Ele suspira, cruzando os braços. A expressão dele é tão dura que quase consigo ouvir os pensamentos gritando na cabeça dele.
— Eu não sei, Daygo. Mas se eles têm informantes, alguém está falando mais do que deveria.
— E você acha que sou eu? — Digo serio.
— Eu não acho nada... ainda. — Pedro diz me encarando. — Mas se tem uma coisa que aprendi, é que não dá pra confiar em ninguém quando a CCG tá envolvida.
Dou um passo à frente, irritado com a insinuação.
— Sério isso? — Digo irritado. — Depois de tudo o que passamos, você tá me olhando como se eu fosse o problema?
— Não é questão de querer. É questão de sobrevivência.
O clima fica tenso, mas antes que eu possa responder, o som de passos apressados ecoa ao longe. Ambos nos viramos para a direção do som.
Nos escondemos atrás de uma pilha de caixas, observando as sombras se moverem na esquina próxima. Um grupo de agentes da CCG caminha em formação, suas vozes abafadas pelas máscaras.
— A informação diz que há ghouls escondidos por aqui. — Um agente loiro disse.
— Se encontrarmos qualquer coisa, o protocolo é eliminar imediatamente. — Disse o asiático ao seu lado.
Eu seguro a respiração, sentindo o peso das palavras deles. Pedro me dá um leve toque no ombro, sinalizando para permanecermos imóveis. Os agentes passam direto, mas a tensão permanece no ar.
Quando o som dos passos desaparece, saímos lentamente do esconderijo. Eu olho para Pedro, a adrenalina ainda pulsando nas minhas veias.
— Você viu como eles estavam armados? Eles não vieram só pra investigar. Vieram pra matar. — Eu disse apavorado.
— Por isso precisamos ser mais cuidadosos.
— E o que vamos fazer agora? Ficar nos acusando enquanto eles destroem tudo à nossa volta? — Eu realmente estava nervoso.
Pedro parece ponderar por um momento. Ele esfrega o rosto, claramente frustrado.
— Eu não quero te acusar, Daygo. Mas preciso ter certeza de que todo mundo está no mesmo lado.
— Eu tô no mesmo lado que você desde o começo. — Digo cruzando os braços. — Se você não confia em mim, então talvez o problema não seja quem é o traidor, mas o que a gente tá fazendo de errado.
Nos aproximamos do velho galpão que usamos como ponto de encontro. Eu paro antes de entrar, ainda remoendo as palavras de Pedro.
— E se o problema não for um traidor, Pedro? E se a CCG simplesmente sabe mais do que deveríamos? — Digo pensativo.
— O que você tá dizendo?
— Tô dizendo que talvez eles estejam manipulando a gente, nos levando a suspeitar uns dos outros pra nos enfraquecer.
Pedro fica em silêncio, considerando a ideia. Ele assente lentamente, mas não parece totalmente convencido.
— Talvez. Mas mesmo assim, não podemos descartar nenhuma possibilidade. — Pedro disse passando a mão pelo rosto, parecia cansado.
— A gente tá andando em círculos, Pedro. — Digo frustrado. — Se não formos mais espertos que eles, não vai sobrar ninguém pra trair ninguém.
Pedro finalmente solta um suspiro longo. Ele me encara com um olhar firme, mas menos desconfiado.
— Certo. Vamos focar em entender o que eles realmente sabem. Mas, Daygo... se descobrirmos que tem alguém jogando contra a gente, você sabe o que precisa ser feito.
Eu não respondo, mas o peso do aviso fica no ar. Ambos entramos no galpão, mais determinados do que nunca a descobrir a verdade. A luz fraca ilumina o interior do galpão, onde Sara e Lucas já nos esperam. Assim que entramos, Sara percebe o clima pesado entre nós.
— Vocês dois parecem ter visto um fantasma. - Sara disse se aproximando.
— Não é um fantasma... é algo muito pior. - Eu disse ainda nervoso.
Enquanto tentamos decifrar as intenções da CCG, a linha entre aliados e inimigos começava a desaparecer.

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